Eu pensei que sabia contar
Não, não sei contar não.
Eu pensei saber escrever
Não, não sei escrever não.
Me disseram que era fácil
Já disse o sábio
Que escrever se começa com parágrafo
E termina com ponto final
Entre uma e outra
Perde-se em palavras.
Ah, mas isso é fácil não.
Isso é coisa de gente sábia
Gente com muita emoção
Gente com sensibilidade
No coração
E nos dedos das mãos.
Eu queria escrever um soneto.
Já tentei, juro
Rasbiquei um caderno
Até pintei rabiscos
Num muro.
Mas, sonetos
Sei escrever não.
Não consigo medir
O tamanho
Não consigo medir
O desastre que escrevo
Depois que assim o fiz
É que sinto meu tropeço.
No máximo o que consigo
É um bocado de versinhos
Mas juro pra você
Todos com muito carinho
Já fiz poemas caolhos
E também de uma perna só
Já fiz alguns contos
Que me fizeram sentir dó
É dó sim
Dó de mim!
O que sei fazer
É colocar no pedaço de papel
Umas palavras dos meus percalços
Das minhas idéias mirabolantes
Dos meus sentimentos
Que de tão intensos
Chegam a ser gigantes
E nisso, mais uma vez
Não consegui fazer meu soneto
Entro em desespero
E começo a descabelar
Eis que a vida refletida no espelho
Me sugere e dá o troco
Menina que um dia merece aplausos,
Menina que outro dia merece socos.
Palavras nasceram agora
Poesia fora de hora
Que ao mesmo tempo que acalma
D
.E
..V
...O
....R
.....A





1 Comentários:
Eu não sei contar, e nem gosto, mas gosto de escrever e não perco a oportunidade de comentar o que leio, com prazer.
Muito bom te ler... Não são só palavras o que vc escreve e nem tão pouco vc as escreve, somente... Seu escrito é como uma grande tela cheia de cores e marcada pelo brilho que existe em vc.
Bjão de carinho! \0/
Por
Unknown, Às
23 de junho de 2009 às 14:36
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